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segunda-feira, 19 de março de 2012

Pedro Malasartes e a Sopa de Pedras


         Pedro Malasartes, um caipira danado de esperto, estava morto de fome e sem dinheiro algum. Precisava arranjar alguma ocupação que lhe desse o dinheiro suficiente para conseguir comprar comida.
         Cansado de perambular em Porrete Armado, o nome do lugarejo em que se encontrava, decidiu parar e descansar na porta de um pequeno armazém de secos e molhados; desses encontrados no interior e onde é possível comprar de tudo que se pode imaginar.
         Pegou sua viola e começou a cantar uma moda, na esperança de que alguém lhe desse alguns trocados. Mas além de nada conseguir, os fregueses que bebiam no balcão quase o expulsaram por “incomodar” sua conversa. Eles conversavam sobre uma senhora, Dona Agromelsilda, moradora da região e que era conhecida por sua excessiva avareza.
         A conversa caminhava assim:
                  - Gente, vocês não imaginam como é “unha de fome” aquela Dona Agromelsilda, que mora para os lados do estradão da Grota Funda!

Pedro Malasartes e o Pássaro Lapão




Do tal Pedro Malasartes,
você já ouviu falar?
Pois prepare sua risada
que estou pronto pra contar.

Esse Pedro é uma caipira
Bem do tipo brasileiro:
É quietão, de fala mansa,
Mas sabido e muito arteiro.

Pra dar duro no batente,
nosso Pedro é só preguiça,
mas não perde ocasião
de vingar uma injustiça.

E injustiça é o que não falta
nessa vida lá da roça.
Só se livra das maldades
o sujeito que tem bossa.

Foi assim que certa vez
o Martinho Deodato,
capataz do coronel,
foi caçar jacu no mato.

Quando ouviu um barulhinho,
levou a espingarda ao peito,
mas errou a pontaria,
deu um tiro tão sem jeito
que matou o cabritinho
da viúva do Chicão
e em vez de pagar a perda
inda disse um palavrão.

A viúva foi ao Pedro
contar a situação.
Pedro não era de briga,
mas jurou reparação.

Tratou logo de comer
uma janta reforçada:
rapadura, dois repolhos
e uma enorme feijoada...

Frente à casa do Martinho,
agachou-se bem na estrada.
Esperou fazer efeito...