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terça-feira, 16 de julho de 2013

A Mesa e a Cadeira de Balanço

Ivan Venturini

    Há muito tempo atrás, numa simples e bonita casa no campo, morava uma família. Gente trabalhadora e honesta, acostumada à dura lida do campo, mas gratificada com os resultados de plantar, colher e vender os frutos de seu trabalho; colaborando, também, para o abastecimento de alimentos na vila em que moravam.
    Na casa da família existia uma Mesa rodeada de seis Cadeiras, cada uma ocupada pelos membros da família quando sentavam-se para as refeições, ou ainda para conversar e deliberar as ações futuras.
    Dona Mesa, confeccionada com Angelim, madeira de lei, era firme como rocha e sobre seu tampo era feito todo tipo de serviço: de escolher feijão, às contas do orçamento; das lições de escola das crianças, às leituras noturnas da Palavra de Deus; dos saborosos doces devorados por todos, às roupas passadas para as freguesas da Dona da Casa. Tantos trabalhos deixaram marcas diversas: de facas, facões, ferros de passar, panelas quentes, líquidos derramados, marcas de talheres que eram batidos pelos pequenos quando comiam, e outras tantas. Tais marcas, longe de provocar reclamações de Dona Mesa lamentando sua sorte por tê-las, pelo contrário: Eram orgulhosamente ostentadas como prova da passagem do tempo, prova de seus serviços prestados à família, prova de sua experiência e utilidade a ser compartilhada com os demais Móveis e Objetos da casa, em especial, as Cadeiras que muito a admiravam. Como dizia Dona Mesa: “- Minhas marcas são a prova de uma vida de utilidade, ainda que pequena, à sociedade que me cerca.”
    Sempre aconselhando as Cadeiras e demais Móveis da casa, que haviam sido feitos pelo Pai da Família, Dona Mesa dizia: “-Sejam fortes e trabalhadores em suas funções, para as quais foram criados. Não façam corpo mole diante das dificuldades. Não se esqueçam de que nossos maiores inimigos, os cupins, são trabalhadores silenciosos. Eles não descansam nunca e estão sempre à espreita de um cochilo nosso, para atacar e minar nossas defesas internas, até que não mais prestemos e tenhamos que ser jogadas ao fogo!” (¹)
          “- Se nosso senhor, que nos fez, descobrir cupins em nosso interior, seremos queimadas. Talvez jogadas fora, apanhando umidade e apodrecendo ao relento, na melhor da hipóteses.”
    Tais palavras provocavam nos demais Móveis da cozinha, bem como de toda a casa, um sentimento de responsabilidade e alerta constante. E ao contrário do que poderia parecer, o clima entre eles, era de paz, amizade, ordem, companheirismo. Cada Móvel procurava auxiliar seus semelhantes. Cada um observava as pragas que poderiam se aproximar dos demais e de si próprio, cuidando para que nada de ruim acontecesse. A vigilância mútua, o camaradismo, a amizade que os unia levava-os ao aperfeiçoamento das relações. (²)
     Todos se ajudavam mutuamente, ou melhor: quase todos.
    Numa de suas idas ao vilarejo próximo à casa, o Pai da Família havia comprado uma Cadeira de Balanço que pertencera a uma rica família que se mudara dali. O Dono da Loja de objetos usados fizera bom preço e a Cadeira de Balanço serviria à Senhora que estava grávida e poderia usá-la durante o tempo de amamentação, possibilitando maior conforto.
    Assim que a Cadeira chegou houve um grande rebuliço na casa, com as crianças querendo sentar, todas ao mesmo tempo, para balançar. O Pai teve de ser firme, embora dócil, antes que a “pobre” cadeira fosse desmontada por inteiro.
    Passado o primeiro momento de novidade na casa, e já tarde da noite, a hora em que os objetos conversam mais livremente, pois todos os humanos estão dormindo, Dona Mesa resolveu se apresentar à nova moradora, explicar a forma de funcionamento da casa, quais eram seus moradores, etc. Qual não foi sua surpresa com a resposta da Cadeira:
          -Eu não sei você “queridinha”, mas eu não pretendo morar por muito tempo nesta casa horrível, cheia de humanos sem a menor classe; sem modos, sem educação. Uma casa infestada de crianças. Este lugar causa-me náuseas. Eu não fui feita para estes ambientes. De onde eu vim, apenas nobres senhoras sentavam-se sobre mim. Meu lugar era nas salas de conversa, junto às mulheres, enquanto os homens conversavam na biblioteca ou na sala de estar. Muitas vezes fui colocada no quarto de minha senhora ou de sua mãe. Mas nunca numa cozinha, com este fogão a lenha, nesta casa tão pequena e cheia destes...destes... destes detestáveis pequenos pirralhos!
    A Cadeira de Balanço era só reclamação.
    Dona Mesa tentou acalmá-la: -Calma minha querida, você verá que a vida aqui não é ruim. Tenha paciência com as crianças. Elas nunca viram uma cadeira como você. Estão eufóricas com a novidade. Logo esta euforia passa e eles te deixarão em paz. Eu garanto. Já vivi muito tempo nesta família, desde que fui confeccionada por meu senhor e sei que os pequenos não te farão nada de mal. Acalme-se. Esta gente é simples, mas é boa, justa e trabalhadora. Você verá que a vida aqui será melhor do que de onde você veio.
          -Você esta brincando não é? Viver bem neste antro? De jeito nenhum! Quem você pensa que é para me dizer estas coisas? Logo eu, uma Cadeira de Balanço feita pelos mais nobres Mestres Marceneiros Italianos, enquanto você foi feita por um “zé ninguém”? Ponha-se no seu lugar já! - disse a Cadeira.
    Dona Mesa calou-se, diante da explosão enfurecida da Cadeira. Com certa mágoa, mas entendendo que a Cadeira estava, apenas, com dificuldade de acostumar-se à nova vida.
    O tempo passou e o comportamento da Cadeira não melhorava. Ela ofendia às demais Cadeiras, falava desaforos ao Armário em que eram guardadas as Louças, esnobava as pobres Prateleiras em que ficavam as Panelas, gritava com os Pregos em que eram penduradas as Colheres de cozinha, xingava os Talheres por não serem de prata e principalmente: Brigava o tempo todo com Dona Mesa, o alvo favorito de seus ataques de fúria e ódio.
  • - Odeio estas crianças fedidas e bagunceiras que sentam todo o tempo em mim!
  • - Odeio esta mulher enorme sentando este peso imenso e ainda acompanhada deste menininho que chora todo o tempo! Eu não aguento este barulho, esta gente, este lugar. Preciso ir embora daqui. Ainda vou dar um tombo nesta gente!
  • - Odeio você que os defende o tempo todo!
    Todos os Móveis e Objetos da casa tentavam entender os motivos de tanta fúria e ódio, mas nada explicava tal comportamento. Mesmo que se levasse em conta o revés na vida pelo qual ela, Cadeira de Balanço, havia passado, nada justificava tal comportamento tão agressivo. A solução, para evitar mais desgastes e aborrecimentos, foi evitar dar atenção à Cadeira de Balanço. Todos a deixavam falar e falar, explodindo seus impropérios ate´que ela se cansasse e calasse. A única que lhe dava alguma atenção, pois conservava a esperança de torná-la amigável a todos, era Dona Mesa.
    No dia em que o Pai da Família achou furos na Cadeira de Balanço e pó no chão, característicos da existência de cupins em seu interior, a casa se transformou num verdadeiro caos. Todos falavam ao mesmo tempo: O Pai queria desmontar a Cadeira e usar sua madeira como lenha. A Mãe não deixou, pois o bebê havia nascido e durante o longo tempo de amamentação ela sentava para alimentar a criança; para desespero da Cadeira que detestava ser empregada desta maneira. Os filhos dividiram-se entre os que queriam fazer uma enorme fogueira e os que queriam mantê-la para balançar:
  • - Queima ela Pai! Queima ela. Vai ser muito legal! - diziam uns.
  • - Não queima não Pai! Não queima. Ela é boa para gente balançar.
    A noite, a confusão entre os móveis não foi menor: Todos queriam opinar quanto ao destino da Cadeira de Balanço dividindo-se, também, entre os favoráveis à queima imediata da Cadeira, até para evitar a contaminação dos demais móveis, e aqueles que defendiam sua retirada imediata para o quintal para que apodrecesse com o tempo.
  • - Joguem esta esnobe no quintal para apodrecer! - gritavam os Pratos.
  • - Melhor queimar esta infeliz no fogão a lenha! - praguejavam os Talheres.
  • - Quero sentir o cheiro de sua nobreza queimando! -gracejavam as panelas.
  • - Acabem com “sua alteza”! - dizia o Armário de louças.
    Depois de muita confusão, gritos e sentimentos de vingança destilados contra a “assustada” Cadeira de Balanço, Dona Mesa falou com propriedade e autoridade a ponto de todos aquietarem-se:
  • -Calem-se todos vocês! Chega de tanto ódio e rancor! Vocês estão se comportando da mesma forma que sempre condenaram! Parem com estas tolices. Desde quando vocês decidem alguma coisa aqui dentro! Quem lhes deu autoridade para julgar e condenar a Cadeira! Ponham-se no seu lugar! Não vamos deixar que a paz, solidariedade, companheirismo que sempre marcaram nosso meio, deixem de existir! (³)
    Um grande silêncio se fez em toda a casa. Todos os móveis, apesar dos motivos que tinham para se deliciar com a má sorte da Cadeira cheia de cupins, calaram-se e refletiram nas palavras de Dona Mesa, como sempre a mais serena e sábia de todos.
  • - Devemos buscar ampará-la nesta hora. Tomara que nosso Senhor saiba oque fazer para descontaminá-la. Ouvi dizer que existem produtos que são capazes de penetrar a madeira e matar os cupins, os reais inimigos de todos nós. Amanhã será outro dia e nosso Senhor certamente saberá como agir. Quanto a você Cadeira de Balanço, descanse e aguarde amanhã aquilo que será decidido sobre você. Não sofra por antecipação. “Deixe a cada dia o seu mal.!”(4 )
    Tais palavras surpreenderam a Cadeira de Balanço. Ela jamais imaginou que poderia ser defendida. Ainda mais por Dona Mesa que foi sempre ofendida por suas maiores agressões.
    No dia seguinte o Pai da Família saiu bem cedo e quando voltou trouxe um dos produtos que Dona Mesa disse que existiam. Afinal era verdade: Os cupins poderiam ser eliminados de seu interior.
    O tratamento foi muito dolorido e demorado. A cada furo novo, acompanhado do pó característico de infestação de cupins na madeira, uma nova dose de remédio era aplicada para matar e afugentar aos cupins. A tinta bonita de outrora foi descascada para que todos os furos de cupins fossem visualizados e nova demão não foi aplicada. A Cadeira perdeu todo seu brilho do passado, restando apenas os ricos, mas desgastados, entalhes que lembravam vagamente o reflexo daquilo que tinha sido, um dia: uma bela Cadeira de Balanço.
    Mas afinal, a Cadeira tinha sido salva, embora o Pai da Família tivesse ressalvas quanto a sua capacidade de suportar peso. Afinal o estrago causado pelos cupins havia sido muito grande e parte de sua estrutura poderia ter sido afetada.
    A Mãe, no entanto,  e parte das crianças tanto pediu que o Pai, afinal permitiu que a cadeira fosse utilizada, mas com uma condição:
  • - Não quero saber de ver vocês pulando feito doidos nela! Esta cadeira esta muito abalada pelo cupins. Nem sei se ela aguenta muito tempo. Se vocês tomarem cuidado, talvez ela não se quebre, mas senão...Tenho muito medo de que um de vocês se machuquem com sua queda. Tomem cuidado crianças!
    O tempo passou e a vida voltou ao normal naquela casa. Aliás, apenas no reino dos objetos houve espanto e anormalidade durante o tempo de cura da Cadeira. Para os humanos a operação de descupinizar a Cadeira de Balanço, era algo dentro da normalidade, não exigindo maiores atenções, senão as habituais.

    Durante as crises por que passamos, muitos aprendem lições de vida e mudam, enquanto que outros...
    Assim foi com a Cadeira de Balanço. Tão logo se viu livre dos cupins, voltou a agir da mesma forma de antes: Ofendendo aos demais, gritando com todos, esnobando os companheiros de cozinha e principalmente desferindo seu ódio contra Dona Mesa. Talvez, sua principal mágoa viesse do fato de que Dona Mesa sempre defendia a Família; talvez fosse o fato de sempre ser utilizada para tantos serviços; talvez a sabedoria com que conduzia todas as questões surgidas...quem sabe oque se passava em seu interior? Desconfio que seu maior problema fosse a inveja pela preferência que todos tinham, na casa, por Dona Mesa.
    A cadeira de balanço estava decidida a sair daquela casa de um jeito ou de outro e numa das poucas vezes em que se dirigiu a Dona Mesa sem as agressões habituais disse:
  • - Como você aguenta esta vida? Eu não suporto mais esta gente! Esta casa! Estes móveis! Não suporto mais nada! Nada! Nada! Chega! Já tenho até uma ideia para ir embora: Vou dar um tombo nesta mulher que toda vez senta em mim, com aquele pirralho chorão. O homem esta precisando de dinheiro, ouvi eles falarem outro dia. Depois de um bom tombo eles irão vender-me para qualquer um e eu saio de vez desta pocilga!
  • - Não faça uma coisa destas Cadeira. -disse Dona Mesa. – O nosso Senhor é um homem bom e não vai vendê-la para ninguém. Ainda mais se houver a possibilidade de você estar ruim devido aos cupins que te infestaram. Ele vai te jogar fora ou queimá-la.
    A cadeira respondeu cheia de sí: -Engano seu minha “queridinha”. O homem esta precisando de dinheiro e não vai desperdiçar a chance de ganhar um bom dinheiro com minha venda. Eu valho muito. Além disso, já ví ele negociando com os homens que vem aqui, comprar sua produção.
  • - Por isso mesmo sua tola! Não viu que ele não se deixa enganar, mas também não engana ninguém? - respondeu, aflita, Dona mesa.
  • - Como você é ingênua minha “boa” Mesa – disse cinicamente a Cadeira – Ele é homem e os homens sempre se enganam. Não é possível que este tonto não tenha aprendido nada com seus semelhantes. Esta decidido: Eu provoco um tombo da Senhora ou num destes pequenos rebentos e o homem vai vender-me. Já sei, vou fazer melhor: Darei um tombo na Senhora quando ela estiver com este chorão mamando. Assim ele terá um bom motivo para chorar. - Um cínico riso, proveniente de um mau coração, foi notado por todos os Móveis e Objetos da cozinha.
    Não houve tempo para que Dona Mesa argumentasse com a Cadeira de Balanço, quanto a loucura de seu plano. E se houvesse, certamente a Cadeira não a ouviria; estava determinada!
    Naquele momento a Senhora dirigia-se para amamentar à criança; a Cadeira de Balanço, unindo ação às suas recentes palavras derrubou ambos no chão. O tombo foi tão forte que todos acharam que a Senhora houvesse quebrado seus ossos. Ela levantou-se com dores. Imediatamente voltou-se para o Bebê, que chorava muito. Felizmente só estava assustado. Não tinha se machucado. Quanto a senhora, sofreu apenas alguns hematomas. Nada grave.
    A cadeira sorria: - Consegui, consegui! Dei o tombo na Senhora. Agora esta gente me vende, você vai ver.
    Não tardou e o Pai da Família chegou:
  • - Pai: A mãe levou um tombão na cadeira de balanço, quando estava dando leite para o nenê! - disse um dos filhos.
  • - Não acredito! Quantas vezes eu já falei para vocês tomarem cuidado com esta cadeira!? Ela deve estar podre por causa dos cupins. Machucou alguém? - perguntou o Pai.
  • - Não, ninguém se machucou. Eu só fiquei com algumas marcas doloridas no corpo, causadas pelo tombo. Mas não foi nada grave. - respondeu a mãe.
    O Pai olha para a Cadeira de Balanço e diz: - Não tem jeito não. Esta cadeira esta podre. Vejam como um dos “pés” dela quebrou, quando caiu. Deve estar toda cheia de cupins. Aquele serviço que eu fiz não surtiu efeito. Acho que só tem um jeito: Vou acabar de quebrá-la e usar a madeira como lenha para o fogão.
    Ao ouvir isto a Cadeira de Balanço agitou-se inteira em seu interior e Dona Mesa disse: - Minha filha, mas oque foi que você fez? Assinou sua sentença.
           - Eu não quero ser quebrada e queimada! Eu não quero ser quebrada e queimada. Me ajudem! Alguém me ajude, por favor. Não quero! Não quero!
    Os demais móveis e objetos da cozinha nada poderiam fazer, apenas contemplar a triste “sorte”, procurada pela Cadeira de Balanço.
     Naquela noite, muito fria, houve mais lenha para aquecer a todos naquela casa.

Fim

As referências encontram-se em textos da Bíblia: Nova Versão Internacional (NVI)

¹- “Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês.” Tiago 4:7
¹- “Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar.” 1 Pedro 5:8

² – “Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham.” Atos 4:32

³ – “Não julguem, para que vocês não sejam julgados.” Mateus 7:1
³ - “Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: "Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela". João 8:7


4 - “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal.” Mateus 6:34

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Algumas Dicas de "Contação de Histórias":

1- "Boca Do Céu:  Encontro Internacional De Contadores de Histórias"
http://www.bocadoceu.com.br/index_home.html

2- Ilan Brenman
http://www.ilan.com.br/104/home/

3- Clara Haddad
http://www.clarahaddad.com/

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Pedro Malasartes Conta Histórias

“PEDRO MALASARTES CONTA HISTÓRIAS”

Em 2015, promova um encontro de seus alunos com um 
Contador De Histórias.




Desperte em seus alunos, o gosto pela leitura através da apresentação dos vários Gêneros Literários:
-Contos Diversos (Contos Folclóricos, Contos De Fadas, Contos de Escritores Nacionais e Estrangeiros);
-Crônicas;
-Fábulas;
-Poesias.




*Almeida Junior - “Caipira picando fumo”   1893
Óleo sobre tela Pinacoteca do Estado de São Paulo


Contatos pelo e-mail:  pedrocontadordehistorias@gmail.com


Acesse o blog:  http://pedrocontadordehistorias.blogspot.com

terça-feira, 18 de junho de 2013

Maria Angula, ou A Janta Macabra

Cayambe (Equador)   
Releitura

    Há muito tempo atrás vivia na bela cidade de Cayambe, Equador, uma garota chamada Maria Angula.

    A garota havia perdido a mãe muito cedo e seu pai, carinhoso e protetor, cercou-a de todos os cuidados e mimos que pudessem atenuar a falta materna. No entanto, apesar da educação e cuidados do pai, Maria Angula era muito mentirosa e fofoqueira de modo que estava sempre envolvida em brigas, confusões, encrencas, devido às fofocas feitas e mentiras criadas, incessantemente.

    Sua enorme preguiça também a impedia de aprender a fazer os serviços da casa. A filha do rico fazendeiro de Cayambe, era incapaz de acender um fogão a lenha, a única forma de cozinhar os alimentos naquela época, fritar ovos, arrumar a casa. Mimada como era, suas preocupações resumiam-se a passear todo o tempo, saber das “novidades” e ocupar-se da vida alheia, seu passatempo predileto.

    Na escola, era uma menina muito “esperta”, quando o assunto era acusar os colegas de classe, causar intrigas jogando uns contra os outros, denunciar seus feitos errados às professoras. Parecia até que seu maior prazer era ver o “circo pegar fogo”.

    O tempo passou e Maria Angula foi perdendo os poucos amigos que dela se aproximavam, afinal quem aguentava conviver com uma pessoa, cuja principal atividade era fazer o mau?

    Em sua mocidade Maria Angula não arranjava namorados, apesar da beleza inigualável. Os rapazes fugiam da moça como um raio, pois sua fama de fofoqueira, mentirosa e encrenqueira era muito conhecida. Pior do que tudo isto era sua enorme falta de educação. A moça era incapaz de agradecer qualquer favor que lhe fosse feito, e nas poucas vezes em que era educada certamente o fazia mais por interesses do que por bons hábitos.
As meninas de sua idade, agora também moças, foram conhecendo seus “príncipes encantados” e casaram-se uma a uma, oque aumentava a sensação de solidão em Maria Angula, pois era louca para arranjar um namorado.

    Certo dia, numa festa de Cayambe, aproximou-se de Maria Angula o jovem Tonho, que morava numa cidade vizinha. O rapaz apaixonou-se à primeira vista e Maria não perdeu a oportunidade de “laçar” o pobre moço, que desconhecia as “qualidades” da mocinha.
Os dois começaram a namorar e dois meses depois já estavam se casando:
“- Vou dar um festão para calar a boca de toda essa gente que fica maldando minha filha.” - dizia o velho pai de Maria. E assim esforços não foram poupados para promover a “-Maior festa já vista em Cayambe”- repetia seu pai. De fato, a cidade jamais vira festa tão grande e farta. Além da festa de casamento o pai de Maria deu-lhe uma casa. Afinal a oportunidade de casar a filha, que até dois meses antes parecia que ficaria solteira, não poderia ser perdida. Além disso Tonho parecia ser bom moço, trabalhador, podendo ser aproveitado nas suas fazendas, pensava o velho.

    Mas os problemas de Maria Angula começariam a partir da volta da lua de mel. Tonho saia para trabalhar com o dia ainda escuro e só voltava no início da noite. Moço trabalhador como era e grato pela oportunidade que o sogro lhe dera, faria de tudo para merecer a confiança que lhe fora depositada.

    Quanto a Maria... Nunca saia da cama antes das onze horas da manhã. Para seu desespero, Tonho fazia questão de acordá-la, antes de sair para o trabalho cobrindo-a de beijos e mais beijos. Apesar do sono, os carinhos de Tonho compensavam o sacrifício. Porém, no dia em que Tonho pediu a Maria que lhe fizesse uma comidinha especial (pois Maria vivia dizendo que era excelente cozinheira), ela quase caiu da cama:
“- Cozinhar Tonho?” disse Maria
“-Sim meu amor. Estou louco para provar sua comidinha. Que tal me preparar um pratinho simples: Arroz, feijão, um bifinho e batatas?” disse Tonho.
“- Claro, claro Tonho. Vou fazer para o jantar.” disse Maria pouco convicta.
“-Esta bem Maria. Então até a noite meu bem.” disse Tonho e saiu.
Maria entrou em pânico pois sabia ser incapaz de acender um fogão; assim mesmo tentou. Quase queimou os dedos, mal conseguindo esquentar a água e quase põe fogo na casa.
“-E agora? Como vou fazer tudo isso de comida que o Tonho pediu? Mania de falar demais. Acabei me dando mal!”

    Maria Angula pensava numa solução quando lembrou-se da boa e velha Dona Mercedes, cozinheira de mão cheia que era sua vizinha.
“-Já sei, Dona Mercedes vai me ajudar. Vou até lá e peço a receita de como fazer as comidas que o Tonho quer. Aquela boba me ensina e eu passo por boa cozinheira. Eu sou um gênio.”
Maria foi até a casa da vizinha, bateu palmas e a vizinha atendeu:
“- Oi Maria minha filha. Tudo bem com você menina?”
“- Sim, sim Dona Mercedes. Esta tudo bem. Eu só preciso de um favor da senhora.”
“- Claro minha filha. Pode pedir.”
“- Dona Mercedinha querida, o Tonho pediu que eu fizesse um arroz com feijão, bife e batatas. Mas eu não sei nem acender o fogo. A senhora precisa me ajudar! Disse Maria quase em desespero. Dona Mercedes riu do desespero da menina e calmamente disse:
“-Essas moças de hoje não sabem fazer nada mesmo. Calma minha filha, essa comida que você precisa fazer é bem simples e fácil. Deixa que eu te ajudo e ensino.” Dona Mercedes ensinou direitinho como fazer os pratos pedidos por Tonho. Ensinou segredos, passou dicas de cozinha e tudo o mais. Terminada a “aula culinária”, Maria apenas disse: “-Mas é só isso? Isso eu já sabia. Se eu soubesse que a senhora ia ensinar uma comida que eu já sei fazer, nem perdia meu tempo para vir aqui. Passe bem!” E ao dizer isto Maria Angula saia na maior imponência da casa da boa vizinha. Correu para casa e preparou o prato pedido por Tonho. Tudo ficou ótimo. Parecia que Maria tinha nascido para cozinhar.

    No dia seguinte Tonho pede nova iguaria: “-Maria meu amor, você prepara uma sopa de lentilhas para hoje? Esta um friozinho e uma sopa cai bem.
“-Claro Tonho. Vai trabalhar tranquilo. Quando você voltar sua sopa estará pronta para o jantar.” Assim que Tonho saiu para o trabalho na fazenda do sogro, Maria correu para a casa de Dona Mercedes e novamente se fez de educada quando pediu a receita da sopa: “-Dona Mercedes minha querida tudo bem?”
“-Tudo minha filha, e você esta boa? Deu certo a receita de ontem?”
Maria mal respondeu a pergunta de Dona Mercedes e já “atacou” no novo pedido: “- Deu, deu, Dona Mercedes! Mas agora eu tenho pressa e preciso saber como se faz uma sopa de ervilhas!”
“-Calma filha, esta é muito simples de fazer.” E assim falando, Dona Mercedes ensinou como era feita a sopa de ervilhas.
Novamente Maria Angula, não apenas deixou de agradecer pela ajuda na receita fornecida, como mal educadamente disse: “-É só isso? Mas isso eu já sabia. Se eu soubesse que vinha aqui para ouvir uma receita que eu já conhecia, não teria perdido meu tempo. Passe bem Dona Mercedes.”
A mulher ficou sem saber oque falar, mas como gostava da menina e sabia de sua história como órfã de mãe, atribuía tais atitudes a falta de cuidados maternos. “-Coisa de menina, que logo passa.” - dizia ela.
Maria correu para casa e preparou a sopa pedida por Tonho, que ficou uma delícia.

    Dessa forma, todos os dias, Maria Angula passou a “visitar” a casa de Dona Mercedes a fim de saber como fazer as receitas dos pratos pedidos por Tonho. E como sempre, ao sair, não agradecia nada e ainda fazia desfeitas à boa mulher.

    Numa dessas ocasiões, a boa vizinha, cansada de ouvir os desaforos de Maria Angula resolveu que estava na hora de dar-lhe uma boa lição: “-Esta na hora desta menina aprender alguns bons modos. Chega de ouvir seus desaforos. Minha paciência tem limite chegou ao fim! Quando Maria Angula vier com aquela conversinha ela vai ver !”
No dia seguinte Tonho inventou de comer feijão branco com dobradinha de boi, uma carne preparada com o estômago, o bucho,  do boi. Quando bem preparada fica uma delícia, mas quando não...
“- Dona Mercedes, a senhora me ensina como preparar um feijão branco com dobradinha de boi?”
“-Claro minha filha. Essa é a comida mais gostosa que existe e muito fácil de preparar.  Mas ao invés de usar o bucho do boi, vou te ensinar um segredo de como utilizar outro tipo de bucho. Você verá como ficará muito melhor. Primeiro você pega um facão bem grande. Depois vai até um cemitério e espera chegar o defunto mais fresquinho. Corta a barriga dele e arranca o bucho. Leve o bucho para casa e cozinhe no limão e vinagre. Por fim acrescente o feijão branco, bem temperadinho, e deixe cozinhar. Você vai ver que não há no mundo, comida mais gostosa do que esta.”
“-Mas é só isso? Isso eu já sabia Dona Mercedes. A senhora precisa melhorar seu repertório de receitas. Não conhece novidades? Passe muito bem.” E saiu pisando duro como sempre, só para manter a pose.
“-Já sabia é? Mal educada. Você vai ver a surpresa que te espera.” Pensou Dona Mercedes ao ver a menina sair.
Maria foi até sua casa, pegou o facão e dirigiu-se para o cemitério. Lá ficou escondida até a chegada do último defunto do dia. Após o enterro, desenterrou o defunto. Suas mãos tremiam. Procurou acalmar-se. Quando pode, abriu a tampa do caixão e ao olhar o defunto um frio percorreu-lhe o corpo. Mais tremedeira e nova tentativa de acalmar-se. Quando parou de tremer cortou a barriga do morto e levou seu estômago e  tripas para casa.
Em casa cozinhou tudo como Dona Mercedes tinha ensinado e quando Tonho chegou a janta macabra estava pronta. Jantaram como nunca. Aliás, quem jantou foi apenas Tonho. Maria alegando estar enjoada e sem apetite nem tocou na “comida”.

    Os dois foram dormir. Alta madrugada e Maria acordou com barulhos vindos da porta da sala. Tentou acordar Tonho, que dormia solto em ronco profundo: “-Tonho, Tonho acorda homem. Tem gente na sala!”
Tonho nem sinal de acordar. Maria passou a ouvir passos que vinham da sala, na direção da porta do quarto. Uma estranha luz verde aumentava pela fresta abaixo da porta. Maria começava a ficar apavorada.
De repente ela ouve as batidas que são dadas na porta e uma voz cavernosa que diz:
“-Maria Angula devolva ao meu estômago e as tripas que você tomou da sepultura! Maria Angula, eu quero as minhas tripas! Você tem que devolvê-las!”
A partir dai não havia mais dúvidas: A janta macabra preparada por Maria teria sérias complicações, pois o dono da “comida” tinha vindo buscá-la.
Maria encobriu-se debaixo das cobertas, tremendo de medo e as batidas na porta continuaram seguidas da voz que gritava: “- Minhas tripas Maria, eu quero as minhas tripas!” "Devolve o meu estômago Maria!"

    Subitamente um estrondo se ouviu e a porta abriu. Pavorosamente se via a imagem do morto que ela havia cortado. Em pé, com um enorme buraco na barriga por onde escorria um líquido escuro e repugnante, o morto gritava enfurecido: “Maria Angula devolva as minhas tripas e meu  estômago, que você tomou da sepultura! As minhas tripas Maria, eu quero as minhas tripas!” Aquilo que havia sido um homem um dia, avançava para Maria que não tinha forças nem para desmaiar. A pior visão de um filme de zumbis, não se iguaria ao que Maria presenciava.

    Muito mais do que o desespero tomava conta de Maria: Agora era a certeza de seu destino irrevogável, manifesto na presença sinistra diante dela: Seu fim, ou oque se aproximasse disso era inevitável.

    A criatura se aproximou de Maria, repetindo os gritos que clamavam “seus pertences corporais”, mas ela estava paralisada, sem forças para gritar. Tonho dormia, indiferente ao que se passava em seu quarto.

    Maria sentiu as mãos frias tocarem-lhe a perna esquerda, por onde foi puxada e arrancada da cama, arrastada pelo chão e levada para fora da casa. Deste dia em diante, nunca mais soube-se do paradeiro de Maria.

    No dia seguinte, ao acordar e ver a cama vazia, Tonho procurou pela esposa por toda a parte. Nem sinal dela. Mais tarde o coveiro do cemitério contou que tinha visto Maria no dia anterior, mexendo numa sepultura recente. Quando foram verificá-la, constataram espantados que estava vazia. Mais tarde Dona Mercedes arrependida, contou sobre a receita que havia ensinado à menina,  e a partir dai deduziram-se os fatos aqui contados.
O único sinal da presença de Maria, ainda que não confirmado, se deu por algumas pessoas  que asseguravam ouvir nas noites de céu fechado e muita chuva, a voz de uma mulher que gritava desesperada, enquanto uma voz sepulcral gritava: “- Minhas tripas, minhas tripas!”

Silêncio.

    Maria acorda assustada, suada e aos gritos de terror. 
    Esta em sua cama.
  A noite esta quente e abafada. Ela vai até a janela e abre-a para que o quarto fique ventilado. Olha para o lado, vê Tonho dormir tranquilamente.
    Finalmente entende que tudo não passara de um pesadelo, motivado pela comida pesada e mal preparada da noite anterior.
    Ela começa a lembrar-se de tudo que lhe acontecera no dia passado: Desde a manhã que ela estava atrapalhada e enrolada com a preparação da dobradinha com feijão branco. Dona Mercedes, conforme prometera, no dia anterior resolvera se vingar e de fato o fez: Saiu para viajar, de modo que Maria não teria a quem procurar quando viesse com aquela conversa de pedir a receita de seus pratos. “-Não havia vingança melhor do que aquela: Fazer Maria ter de trabalhar sozinha na preparação de suas comidas. Ela não vivia dizendo que tudo sabia fazer? Pois que se virasse sozinha aquela menina mal educada.”
    Quando foi à casa da boa vizinha, Maria percebeu tudo fechado e entendeu que teria de cozinhar a dobradinha com feijão branco por conta própria. Dirigiu-se ao mercado e comprou a dobradinha de boi. Quando voltava para casa cruzou com a passagem de um enterro, ficando muito impressionada, pois nunca havia ido a um funeral. Supersticiosa como era, tinha um medo infundado de mortos.

    Já em casa preparou a comida, mas esta ficou tão ruim, tão ruim que só foi possível comê-la devido a fome que era grande.
Mais tarde quando foram dormir, Maria lembrou-se de que Tonho reclamara de estar com o estômago pesado. Depois levantou passando mal e o sono dos dois tinha sido conturbado. Nestas circunstâncias era natural que pesadelos assombrassem Maria. E assim ela constatou que todo o “acontecido”, o cemitério, as tripas e estômago cortados, o morto andante, tudo  fora um sonho, um pesadelo devido a comida mal feita, um prato pesado para o consumo noturno e o agravamento pela noite abafada e mal dormida.
Ufa!

    Mas toda esta história servira para Maria perceber o quanto era mal educada e vinha mal tratando sua vizinha. Maria, tomada de arrependimento, decidiu que a primeira coisa que faria seria procurar Dona Mercedes, tão logo chegasse de viagem a fim de pedir perdão por seu comportamento tão estúpido com a boa vizinha.

    Quando Dona Mercedes voltou, Maria procurou-a e pediu perdão por todo tempo em que tratou-a tão mal:
“-A senhora me perdoa Dona Mercedes? Eu fui uma burra, estúpida todo este tempo em que vivi fazendo fofocas e tratando a senhora e outras pessoas tão mal.” Me perdoa Dona Mercedes. Me perdoa.” Falava Maria aos prantos de arrependimento.
“-Claro que te perdoo menina. Fica em paz minha filha. Você esta perdoada.” E falando isso a boa mulher abraçou à Maria como ela nunca tinha sido abraçada antes, em toda sua vida.
A partir desta data as duas tornaram-se muito boas amigas. Dona Mercedes auxiliava a menina em todas as suas dúvidas fossem culinárias, domésticas, sentimentais. Enfim auxiliava a moça como uma boa amiga que era. E a menina Maria Angula era outra pessoa, deixando de vez os péssimos hábitos cultivados ao longo de sua vida. Chegando a tornar-se uma das mais queridas moradoras de Cayambe, atuando junto aos mais desfavorecidos.
Até Tonho sentiu diferença na mulher, que tornou-se mais carinhosa. Ambos não se desgrudavam mais, apaixonados que estavam um pelo outro.
F I M 
Releitura da lenda: Maria Angula

E.T. O autor desta releitura não acredita na possibilidade de mortos saírem andando pelas ruas, sequestrando vivos. 
Admite, sim,  a possibilidade de pesadelos terríveis motivados pelo subconsciente, mas nunca mortos "zumbis", como na lenda acima. O fundamento para a impossibilidade de tais atos esta na Bíblia. No texto bíblico de  Lucas, abaixo, é possível ler a base desta afirmação:
Lucas 16: 19 a 31

"Havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho fino e vivia no luxo todos os dias.

Diante do seu portão fora deixado um mendigo chamado Lázaro, coberto de chagas;
este ansiava comer o que caía da mesa do rico. Em vez disso, os cães vinham lamber as suas feridas.
"Chegou o dia em que o mendigo morreu, e os anjos o levaram para junto de Abraão. O rico também morreu e foi sepultado.
No Hades, onde estava sendo atormentado, ele olhou para cima e viu Abraão de longe, com Lázaro ao seu lado.
Então, chamou-o: ‘Pai Abraão, tem misericórdia de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo na água e refresque a minha língua, porque estou sofrendo muito neste fogo’.
"Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembre-se de que durante a sua vida você recebeu coisas boas, enquanto que Lázaro recebeu coisas más. Agora, porém, ele está sendo consolado aqui e você está em sofrimento.
E além disso, entre vocês e nós há um grande abismo, de forma que os que desejam passar do nosso lado para o seu, ou do seu lado para o nosso, não conseguem’.
"Ele respondeu: ‘Então eu lhe suplico, pai: manda Lázaro ir à casa de meu pai,
pois tenho cinco irmãos. Deixa que ele os avise, a fim de que eles não venham também para este lugar de tormento’.
"Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam’.
" ‘Não, pai Abraão’, disse ele, ‘mas se alguém dentre os mortos fosse até eles, eles se arrependeriam’.
"Abraão respondeu: ‘Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos’ ".

terça-feira, 20 de março de 2012

Indicações De Livros 4ºs Anos


Sugestões de Livros Para os 4ºs Anos  (3ª Série)


 
 1-OBRA:  “A Gente Que Ia Buscar O Dia”
Autor (a):  Edy Lima
Editora:  Scipione

SINOPSE
 Perdido num lugar distante de tudo, um homem se abriga na casa de uma família simpática e diferente. Essa gente tem um hábito esquisito: sair todas as noites para buscar o dia.
 Quando passa de novo por ali, o homem leva um presente que muda a rotina daquelas pessoas...






 
2- OBRA:  “Oque Os Olhos Não Vêem”
Autor (a):  Ruth Rocha
Editora:  Salamandra

SINOPSE
Os súditos nunca são vistos pelos gigantes que mandam e desmandam naquele reino. Mas, um dia, os oprimidos se unem e, usando de muita perspicácia, obrigam o rei a enxergá-los e a ajudá-los. Firmando-se no ditado popular "O que os olhos não vêem o coração não sente", a história questiona o autoritarismo e mostra o que acontece quando os governantes não trabalham com e para o povo.






 
3- OBRA:  “Abaixo O Bicho Papão”
Autor (a):  Walcyr Carrasco
Editora:  Nacional

SINOPSE
 Quem tem medo de bicho-papão? E do quarto escuro? Nesta história, uma fábula sobre os medos que acompanham todas as crianças e como eles são enfrentados com coragem e muito humor. Walcyr Carrasco conta como Marco e Zeca resolvem descobrir se existem monstros debaixo da cama, dentro do armário ou atrás da geladeira.






 
4- OBRA:  “Faca Afiada”
Autor (a):  Bartolomeu Campos de Queiróz
Editora:  Moderna

SINOPSE
Pai,  mãe, avó, meninos, pássaros, as rolinhas, as árvores, o vento. Histórias, sombras, assombrações, a imaginação à solta. Uma conversa entreouvida, uma faca afiada que reluz. Um assassinato friamente planejado. O que pode um menino fazer? Como impedir? O que será de todos eles depois?






 
5- OBRA:  “De Não Em Não”
Autor (a):  Bartolomeu Campos de Queiróz
Editora:  Global

SINOPSE
 Qual é a atitude de uma mãe quando seus filhos não têm o que comer? Os olhos atentos de Bartolomeu Campos de Queirós captam o sofrimento materno, seu sentimento de impotência, a fragilidade das crianças, a carência do lugar e a força destrutível e arrasadora da Fome. Dessa percepção tão aguçada, nasce um texto marcado pela ternura e pelo afeto. Um conteúdo simplesmente comovente! 
Ela bem conhecia a origem das lágrimas dos meninos. Era a Fome, hóspede previsível. Entrava sem chaves, sem respeitar trancas. Surgia sem consentimento, negando trégua ao repouso. (...) Era maio, e o frio da noite aquecia mais e mais a Fome. Na casa, porém, só havia o vazio e resto - nem mais tempo, esperança ou ruído.







 
6- OBRA:  “A Terra Dos Avôs”
Autor (a):  José Ricardo Moreira
Editora:  Positivo

SINOPSE
 Meio esquisito e cheio de idéias mirabolantes, Tito mora com os pais e o avô Norberto, de quem gosta muito e para quem vive pedindo emprestado alguns objetos antigos. Tudo vai bem até o dia em que o garoto chega em casa e não encontra o querido avô. Inconformado e descontente com as explicações dadas pelos adultos, Tito tenta descobrir o seu paradeiro, pondo à prova suas habilidades de caçador de mistérios.
 Ao mesmo tempo terna e bem-humorada, a narrativa insere o enigma no âmbito do cotidiano familiar, mostrando a convivência e a cumplicidade entre o avô e o menino e levando o leitor, de forma muito delicada, a refletir sobre o grande mistério que é a vida.






 
7- OBRA:  “Depois Da Montanha Azul”
Autor (a):  Christiane Gribel
Editora:  Salamandra

SINOPSE
 Depois da Montanha Azul existe uma cidade linda, com pássaros e árvores. Todo mundo queria ver aquelas maravilhas. E, subindo a Montanha, os personagens curiosos descobrem muito mais do que esperavam. Lá do alto, com olhos de quem está vendo tudo pela primeira vez, a gente descobre coisas que sempre estiveram bem debaixo do nosso nariz...







8- OBRA:  “As Cocadas”
Autor (a):  Cora Coralina
Editora:  Global Editora

SINOPSE
 O conto As cocadas, publicado pela primeira vez em O tesouro da Casa Velha, um dos últimos trabalhos de Cora Coralina, ganha nesta edição as cores, os traços, as ilustrações tão sintonizadas com a infância do artista Alê Abreu. A narrativa em primeira pessoa, curta, direta e, ao mesmo tempo, detalhista no que é preciso - qualidades de quem conta mesmo um conto - envolve a criança, desafia sua curiosidade a cada linha, desperta o desejo de descobrir a resolução do conflito vivido pela personagem: Eu devia ter nesse tempo dez anos. Era menina prestimosa e trabalhadeira à moda do tempo. Tinha ajudado a fazer aquela cocada. Tinha areado o tacho de cobre e ralado o coco [...] O coco era gordo, carnudo e leitoso, o doce ficou excelente. Minha prima me deu duas cocadas. Duas cocadas só [...] De noite, sonhava com as cocadas. De dia as cocadas dançavam piruetas na minha frente.