terça-feira, 26 de novembro de 2013
terça-feira, 16 de julho de 2013
A Mesa e a Cadeira de Balanço
Ivan Venturini
Há
muito tempo atrás, numa simples e bonita casa no campo, morava uma
família. Gente trabalhadora e honesta, acostumada à dura lida do
campo, mas gratificada com os resultados de plantar, colher e vender
os frutos de seu trabalho; colaborando, também, para o abastecimento
de alimentos na vila em que moravam.
Na
casa da família existia uma Mesa rodeada de seis Cadeiras, cada uma
ocupada pelos membros da família quando sentavam-se para as
refeições, ou ainda para conversar e deliberar as ações futuras.
Dona
Mesa, confeccionada com Angelim, madeira de lei, era firme como rocha
e sobre seu tampo era feito todo tipo de serviço: de escolher
feijão, às contas do orçamento; das lições de escola das
crianças, às leituras noturnas da Palavra de Deus; dos saborosos
doces devorados por todos, às roupas passadas para as freguesas da
Dona da Casa. Tantos trabalhos deixaram marcas diversas: de facas,
facões, ferros de passar, panelas quentes, líquidos derramados,
marcas de talheres que eram batidos pelos pequenos quando comiam, e
outras tantas. Tais marcas, longe de provocar reclamações de Dona
Mesa lamentando sua sorte por tê-las, pelo contrário: Eram
orgulhosamente ostentadas como prova da passagem do tempo, prova de
seus serviços prestados à família, prova de sua experiência e
utilidade a ser compartilhada com os demais Móveis e Objetos da
casa, em especial, as Cadeiras que muito a admiravam. Como dizia Dona
Mesa: “- Minhas marcas são a prova de uma vida de utilidade, ainda
que pequena, à sociedade que me cerca.”
Sempre
aconselhando as Cadeiras e demais Móveis da casa, que haviam sido
feitos pelo Pai da Família, Dona Mesa dizia: “-Sejam fortes e
trabalhadores em suas funções, para as quais foram criados. Não
façam corpo mole diante das dificuldades. Não se esqueçam de que
nossos maiores inimigos, os cupins, são trabalhadores silenciosos.
Eles não descansam nunca e estão sempre à espreita de um cochilo
nosso, para atacar e minar nossas defesas internas, até que não
mais prestemos e tenhamos que ser jogadas ao fogo!” (¹)
“-
Se nosso senhor, que nos fez, descobrir cupins em nosso interior,
seremos queimadas. Talvez jogadas fora, apanhando umidade e
apodrecendo ao relento, na melhor da hipóteses.”
Tais
palavras provocavam nos demais Móveis da cozinha, bem como de toda a
casa, um sentimento de responsabilidade e alerta constante. E ao
contrário do que poderia parecer, o clima entre eles, era de paz,
amizade, ordem, companheirismo. Cada Móvel procurava auxiliar seus
semelhantes. Cada um observava as pragas que poderiam se aproximar
dos demais e de si próprio, cuidando para que nada de ruim
acontecesse. A vigilância mútua, o camaradismo, a amizade que os
unia levava-os ao aperfeiçoamento das relações. (²)
Todos
se ajudavam mutuamente, ou melhor: quase todos.
Numa
de suas idas ao vilarejo próximo à casa, o Pai da Família havia
comprado uma Cadeira de Balanço que pertencera a uma rica família
que se mudara dali. O Dono da Loja de objetos usados fizera bom preço
e a Cadeira de Balanço serviria à Senhora que estava grávida e
poderia usá-la durante o tempo de amamentação, possibilitando
maior conforto.
Assim
que a Cadeira chegou houve um grande rebuliço na casa, com as
crianças querendo sentar, todas ao mesmo tempo, para balançar. O
Pai teve de ser firme, embora dócil, antes que a “pobre” cadeira
fosse desmontada por inteiro.
Passado
o primeiro momento de novidade na casa, e já tarde da noite, a hora
em que os objetos conversam mais livremente, pois todos os humanos
estão dormindo, Dona Mesa resolveu se apresentar à nova moradora,
explicar a forma de funcionamento da casa, quais eram seus moradores,
etc. Qual não foi sua surpresa com a resposta da Cadeira:
-Eu
não sei você “queridinha”, mas eu não pretendo morar por muito
tempo nesta casa horrível, cheia de humanos sem a menor classe; sem
modos, sem educação. Uma casa infestada de crianças. Este lugar
causa-me náuseas. Eu não fui feita para estes ambientes. De onde eu
vim, apenas nobres senhoras sentavam-se sobre mim. Meu lugar era nas
salas de conversa, junto às mulheres, enquanto os homens conversavam
na biblioteca ou na sala de estar. Muitas vezes fui colocada no
quarto de minha senhora ou de sua mãe. Mas nunca numa cozinha, com
este fogão a lenha, nesta casa tão pequena e cheia
destes...destes... destes detestáveis pequenos pirralhos!
A
Cadeira de Balanço era só reclamação.
Dona
Mesa tentou acalmá-la: -Calma minha querida, você verá que a vida
aqui não é ruim. Tenha paciência com as crianças. Elas nunca
viram uma cadeira como você. Estão eufóricas com a novidade. Logo
esta euforia passa e eles te deixarão em paz. Eu garanto. Já vivi
muito tempo nesta família, desde que fui confeccionada por meu
senhor e sei que os pequenos não te farão nada de mal. Acalme-se.
Esta gente é simples, mas é boa, justa e trabalhadora. Você verá
que a vida aqui será melhor do que de onde você veio.
-Você
esta brincando não é? Viver bem neste antro? De jeito nenhum! Quem
você pensa que é para me dizer estas coisas? Logo eu, uma Cadeira
de Balanço feita pelos mais nobres Mestres Marceneiros Italianos,
enquanto você foi feita por um “zé ninguém”? Ponha-se no seu
lugar já! - disse a Cadeira.
Dona
Mesa calou-se, diante da explosão enfurecida da Cadeira. Com certa
mágoa, mas entendendo que a Cadeira estava, apenas, com dificuldade
de acostumar-se à nova vida.
O
tempo passou e o comportamento da Cadeira não melhorava. Ela ofendia
às demais Cadeiras, falava desaforos ao Armário em que eram
guardadas as Louças, esnobava as pobres Prateleiras em que ficavam
as Panelas, gritava com os Pregos em que eram penduradas as Colheres
de cozinha, xingava os Talheres por não serem de prata e
principalmente: Brigava o tempo todo com Dona Mesa, o alvo favorito
de seus ataques de fúria e ódio.
- - Odeio estas crianças fedidas e bagunceiras que sentam todo o tempo em mim!
- - Odeio esta mulher enorme sentando este peso imenso e ainda acompanhada deste menininho que chora todo o tempo! Eu não aguento este barulho, esta gente, este lugar. Preciso ir embora daqui. Ainda vou dar um tombo nesta gente!
- - Odeio você que os defende o tempo todo!
Todos
os Móveis e Objetos da casa tentavam entender os motivos de tanta
fúria e ódio, mas nada explicava tal comportamento. Mesmo que se
levasse em conta o revés na vida pelo qual ela, Cadeira de Balanço,
havia passado, nada justificava tal comportamento tão agressivo. A
solução, para evitar mais desgastes e aborrecimentos, foi evitar
dar atenção à Cadeira de Balanço. Todos a deixavam falar e falar,
explodindo seus impropérios ate´que ela se cansasse e calasse. A
única que lhe dava alguma atenção, pois conservava a esperança de
torná-la amigável a todos, era Dona Mesa.
No
dia em que o Pai da Família achou furos na Cadeira de Balanço e pó
no chão, característicos da existência de cupins em seu interior,
a casa se transformou num verdadeiro caos. Todos falavam ao mesmo
tempo: O Pai queria desmontar a Cadeira e usar sua madeira como
lenha. A Mãe não deixou, pois o bebê havia nascido e durante o
longo tempo de amamentação ela sentava para alimentar a criança;
para desespero da Cadeira que detestava ser empregada desta maneira.
Os filhos dividiram-se entre os que queriam fazer uma enorme fogueira
e os que queriam mantê-la para balançar:
- - Queima ela Pai! Queima ela. Vai ser muito legal! - diziam uns.
- - Não queima não Pai! Não queima. Ela é boa para gente balançar.
A
noite, a confusão entre os móveis não foi menor: Todos queriam
opinar quanto ao destino da Cadeira de Balanço dividindo-se, também,
entre os favoráveis à queima imediata da Cadeira, até para evitar
a contaminação dos demais móveis, e aqueles que defendiam sua
retirada imediata para o quintal para que apodrecesse com o tempo.
- - Joguem esta esnobe no quintal para apodrecer! - gritavam os Pratos.
- - Melhor queimar esta infeliz no fogão a lenha! - praguejavam os Talheres.
- - Quero sentir o cheiro de sua nobreza queimando! -gracejavam as panelas.
- - Acabem com “sua alteza”! - dizia o Armário de louças.
Depois
de muita confusão, gritos e sentimentos de vingança destilados
contra a “assustada” Cadeira de Balanço, Dona Mesa falou com
propriedade e autoridade a ponto de todos aquietarem-se:
- -Calem-se todos vocês! Chega de tanto ódio e rancor! Vocês estão se comportando da mesma forma que sempre condenaram! Parem com estas tolices. Desde quando vocês decidem alguma coisa aqui dentro! Quem lhes deu autoridade para julgar e condenar a Cadeira! Ponham-se no seu lugar! Não vamos deixar que a paz, solidariedade, companheirismo que sempre marcaram nosso meio, deixem de existir! (³)
Um
grande silêncio se fez em toda a casa. Todos os móveis, apesar dos
motivos que tinham para se deliciar com a má sorte da Cadeira cheia
de cupins, calaram-se e refletiram nas palavras de Dona Mesa, como
sempre a mais serena e sábia de todos.
- - Devemos buscar ampará-la nesta hora. Tomara que nosso Senhor saiba oque fazer para descontaminá-la. Ouvi dizer que existem produtos que são capazes de penetrar a madeira e matar os cupins, os reais inimigos de todos nós. Amanhã será outro dia e nosso Senhor certamente saberá como agir. Quanto a você Cadeira de Balanço, descanse e aguarde amanhã aquilo que será decidido sobre você. Não sofra por antecipação. “Deixe a cada dia o seu mal.!”(4 )
Tais
palavras surpreenderam a Cadeira de Balanço. Ela jamais imaginou que
poderia ser defendida. Ainda mais por Dona Mesa que foi sempre
ofendida por suas maiores agressões.
No
dia seguinte o Pai da Família saiu bem cedo e quando voltou trouxe
um dos produtos que Dona Mesa disse que existiam. Afinal era verdade:
Os cupins poderiam ser eliminados de seu interior.
O
tratamento foi muito dolorido e demorado. A cada furo novo,
acompanhado do pó característico de infestação de cupins na
madeira, uma nova dose de remédio era aplicada para matar e
afugentar aos cupins. A tinta bonita de outrora foi descascada para
que todos os furos de cupins fossem visualizados e nova demão não
foi aplicada. A Cadeira perdeu todo seu brilho do passado, restando
apenas os ricos, mas desgastados, entalhes que lembravam vagamente o
reflexo daquilo que tinha sido, um dia: uma bela Cadeira de Balanço.
Mas
afinal, a Cadeira tinha sido salva, embora o Pai da Família tivesse
ressalvas quanto a sua capacidade de suportar peso. Afinal o estrago
causado pelos cupins havia sido muito grande e parte de sua estrutura
poderia ter sido afetada.
A Mãe, no entanto, e parte das crianças tanto pediu que o Pai, afinal permitiu
que a cadeira fosse utilizada, mas com uma condição:
- - Não quero saber de ver vocês pulando feito doidos nela! Esta cadeira esta muito abalada pelo cupins. Nem sei se ela aguenta muito tempo. Se vocês tomarem cuidado, talvez ela não se quebre, mas senão...Tenho muito medo de que um de vocês se machuquem com sua queda. Tomem cuidado crianças!
O
tempo passou e a vida voltou ao normal naquela casa. Aliás, apenas
no reino dos objetos houve espanto e anormalidade durante o tempo de
cura da Cadeira. Para os humanos a operação de descupinizar a
Cadeira de Balanço, era algo dentro da normalidade, não exigindo
maiores atenções, senão as habituais.
Durante
as crises por que passamos, muitos aprendem lições de vida e mudam,
enquanto que outros...
Assim
foi com a Cadeira de Balanço. Tão logo se viu livre dos cupins,
voltou a agir da mesma forma de antes: Ofendendo aos demais, gritando
com todos, esnobando os companheiros de cozinha e principalmente
desferindo seu ódio contra Dona Mesa. Talvez, sua principal mágoa
viesse do fato de que Dona Mesa sempre defendia a Família; talvez
fosse o fato de sempre ser utilizada para tantos serviços; talvez a
sabedoria com que conduzia todas as questões surgidas...quem sabe
oque se passava em seu interior? Desconfio que seu maior problema
fosse a inveja pela preferência que todos tinham, na casa, por Dona
Mesa.
A
cadeira de balanço estava decidida a sair daquela casa de um jeito
ou de outro e numa das poucas vezes em que se dirigiu a Dona Mesa sem
as agressões habituais disse:
- - Como você aguenta esta vida? Eu não suporto mais esta gente! Esta casa! Estes móveis! Não suporto mais nada! Nada! Nada! Chega! Já tenho até uma ideia para ir embora: Vou dar um tombo nesta mulher que toda vez senta em mim, com aquele pirralho chorão. O homem esta precisando de dinheiro, ouvi eles falarem outro dia. Depois de um bom tombo eles irão vender-me para qualquer um e eu saio de vez desta pocilga!
- - Não faça uma coisa destas Cadeira. -disse Dona Mesa. – O nosso Senhor é um homem bom e não vai vendê-la para ninguém. Ainda mais se houver a possibilidade de você estar ruim devido aos cupins que te infestaram. Ele vai te jogar fora ou queimá-la.
A
cadeira respondeu cheia de sí: -Engano seu minha “queridinha”. O
homem esta precisando de dinheiro e não vai desperdiçar a chance de
ganhar um bom dinheiro com minha venda. Eu valho muito. Além disso,
já ví ele negociando com os homens que vem aqui, comprar sua
produção.
- - Por isso mesmo sua tola! Não viu que ele não se deixa enganar, mas também não engana ninguém? - respondeu, aflita, Dona mesa.
- - Como você é ingênua minha “boa” Mesa – disse cinicamente a Cadeira – Ele é homem e os homens sempre se enganam. Não é possível que este tonto não tenha aprendido nada com seus semelhantes. Esta decidido: Eu provoco um tombo da Senhora ou num destes pequenos rebentos e o homem vai vender-me. Já sei, vou fazer melhor: Darei um tombo na Senhora quando ela estiver com este chorão mamando. Assim ele terá um bom motivo para chorar. - Um cínico riso, proveniente de um mau coração, foi notado por todos os Móveis e Objetos da cozinha.
Não
houve tempo para que Dona Mesa argumentasse com a Cadeira de Balanço,
quanto a loucura de seu plano. E se houvesse, certamente a Cadeira
não a ouviria; estava determinada!
Naquele
momento a Senhora dirigia-se para amamentar à criança; a Cadeira de
Balanço, unindo ação às suas recentes palavras derrubou ambos no
chão. O tombo foi tão forte que todos acharam que a Senhora
houvesse quebrado seus ossos. Ela levantou-se com dores.
Imediatamente voltou-se para o Bebê, que chorava muito. Felizmente
só estava assustado. Não tinha se machucado. Quanto a senhora,
sofreu apenas alguns hematomas. Nada grave.
A
cadeira sorria: - Consegui, consegui! Dei o tombo na Senhora. Agora
esta gente me vende, você vai ver.
Não
tardou e o Pai da Família chegou:
- - Pai: A mãe levou um tombão na cadeira de balanço, quando estava dando leite para o nenê! - disse um dos filhos.
- - Não acredito! Quantas vezes eu já falei para vocês tomarem cuidado com esta cadeira!? Ela deve estar podre por causa dos cupins. Machucou alguém? - perguntou o Pai.
- - Não, ninguém se machucou. Eu só fiquei com algumas marcas doloridas no corpo, causadas pelo tombo. Mas não foi nada grave. - respondeu a mãe.
O
Pai olha para a Cadeira de Balanço e diz: - Não tem jeito não.
Esta cadeira esta podre. Vejam como um dos “pés” dela quebrou,
quando caiu. Deve estar toda cheia de cupins. Aquele serviço que eu
fiz não surtiu efeito. Acho que só tem um jeito: Vou acabar de
quebrá-la e usar a madeira como lenha para o fogão.
Ao
ouvir isto a Cadeira de Balanço agitou-se inteira em seu interior e
Dona Mesa disse: - Minha filha, mas oque foi que você fez? Assinou
sua sentença.
-
Eu não quero ser quebrada e queimada! Eu não quero ser quebrada e
queimada. Me ajudem! Alguém me ajude, por favor. Não quero! Não
quero!
Os
demais móveis e objetos da cozinha nada poderiam fazer, apenas
contemplar a triste “sorte”, procurada pela Cadeira de Balanço.
Naquela
noite, muito fria, houve mais lenha para aquecer a todos naquela
casa.
Fim
As
referências encontram-se em textos da Bíblia: Nova Versão
Internacional (NVI)
¹-
“Sejam
sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como
leão, rugindo e procurando a quem possa devorar.” 1
Pedro 5:8
²
–
“Da
multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém
considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas
compartilhavam tudo o que tinham.” Atos
4:32
³
- “Visto
que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: "Se
algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra
nela".
João
8:7
4
- “Portanto,
não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará
consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal.”
Mateus
6:34
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Algumas Dicas de "Contação de Histórias":
1- "Boca Do Céu: Encontro Internacional De Contadores de Histórias"
http://www.bocadoceu.com.br/index_home.html
2- Ilan Brenman
http://www.ilan.com.br/104/home/
3- Clara Haddad
http://www.clarahaddad.com/
1- "Boca Do Céu: Encontro Internacional De Contadores de Histórias"
http://www.bocadoceu.com.br/index_home.html
2- Ilan Brenman
http://www.ilan.com.br/104/home/
3- Clara Haddad
http://www.clarahaddad.com/
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Pedro Malasartes Conta Histórias
“PEDRO MALASARTES CONTA HISTÓRIAS”
Em 2015, promova um encontro de seus alunos com um
Contador
De Histórias.
Desperte em seus alunos, o gosto pela leitura através da
apresentação dos vários Gêneros Literários:
-Contos Diversos (Contos Folclóricos, Contos De Fadas,
Contos de Escritores Nacionais e Estrangeiros);
-Crônicas;
-Fábulas;
-Poesias.
*Almeida
Junior - “Caipira picando fumo”
1893
Óleo
sobre tela Pinacoteca do Estado de São Paulo
Acesse o blog: http://pedrocontadordehistorias.blogspot.com
terça-feira, 18 de junho de 2013
Maria Angula, ou A Janta Macabra
Cayambe
(Equador)
Releitura
Há
muito tempo atrás vivia na bela cidade de Cayambe, Equador, uma
garota chamada Maria Angula.
A
garota havia perdido a mãe muito cedo e seu pai, carinhoso e
protetor, cercou-a de todos os cuidados e mimos que pudessem atenuar
a falta materna. No entanto, apesar da educação e cuidados do pai,
Maria Angula era muito mentirosa e fofoqueira de modo que estava
sempre envolvida em brigas, confusões, encrencas, devido às fofocas
feitas e mentiras criadas, incessantemente.
Sua
enorme preguiça também a impedia de aprender a fazer os serviços
da casa. A filha do rico fazendeiro de Cayambe, era incapaz de
acender um fogão a lenha, a única forma de cozinhar os alimentos
naquela época, fritar ovos, arrumar a casa. Mimada como era, suas
preocupações resumiam-se a passear todo o tempo, saber das
“novidades” e ocupar-se da vida alheia, seu passatempo predileto.
Na
escola, era uma menina muito “esperta”, quando o assunto era
acusar os colegas de classe, causar intrigas jogando uns contra os
outros, denunciar seus feitos errados às professoras. Parecia até
que seu maior prazer era ver o “circo pegar fogo”.
O
tempo passou e Maria Angula foi perdendo os poucos amigos que dela se
aproximavam, afinal quem aguentava conviver com uma pessoa, cuja
principal atividade era fazer o mau?
Em
sua mocidade Maria Angula não arranjava namorados, apesar da beleza
inigualável. Os rapazes fugiam da moça como um raio, pois sua fama
de fofoqueira, mentirosa e encrenqueira era muito conhecida. Pior
do que tudo isto era sua enorme falta de educação. A moça era
incapaz de agradecer qualquer favor que lhe fosse feito, e nas poucas
vezes em que era educada certamente o fazia mais por interesses do
que por bons hábitos.
As
meninas de sua idade, agora também moças, foram conhecendo seus
“príncipes encantados” e casaram-se uma a uma, oque aumentava a
sensação de solidão em Maria Angula, pois era louca para arranjar
um namorado.
Certo
dia, numa festa de Cayambe, aproximou-se de Maria Angula o jovem
Tonho, que morava numa cidade vizinha. O rapaz apaixonou-se à
primeira vista e Maria não perdeu a oportunidade de “laçar” o
pobre moço, que desconhecia as “qualidades” da mocinha.
Os
dois começaram a namorar e dois meses depois já estavam se casando:
“-
Vou dar um festão para calar a boca de toda essa gente que fica
maldando minha filha.” - dizia o velho pai de Maria. E assim
esforços não foram poupados para promover a “-Maior festa já
vista em Cayambe”- repetia seu pai. De fato, a cidade jamais vira
festa tão grande e farta. Além
da festa de casamento o pai de Maria deu-lhe uma casa. Afinal a
oportunidade de casar a filha, que até dois meses antes parecia que
ficaria solteira, não poderia ser perdida. Além disso Tonho parecia
ser bom moço, trabalhador, podendo ser aproveitado nas suas
fazendas, pensava o velho.
Mas
os problemas de Maria Angula começariam a partir da volta da lua de
mel. Tonho
saia para trabalhar com o dia ainda escuro e só voltava no início
da noite. Moço trabalhador como era e grato pela oportunidade que o
sogro lhe dera, faria de tudo para merecer a confiança que lhe fora
depositada.
Quanto a Maria... Nunca saia da cama antes das onze horas da manhã. Para seu desespero, Tonho fazia questão de acordá-la, antes de sair para o trabalho cobrindo-a de beijos e mais beijos. Apesar do sono, os carinhos de Tonho compensavam o sacrifício. Porém, no dia em que Tonho pediu a Maria que lhe fizesse uma comidinha especial (pois Maria vivia dizendo que era excelente cozinheira), ela quase caiu da cama:
Quanto a Maria... Nunca saia da cama antes das onze horas da manhã. Para seu desespero, Tonho fazia questão de acordá-la, antes de sair para o trabalho cobrindo-a de beijos e mais beijos. Apesar do sono, os carinhos de Tonho compensavam o sacrifício. Porém, no dia em que Tonho pediu a Maria que lhe fizesse uma comidinha especial (pois Maria vivia dizendo que era excelente cozinheira), ela quase caiu da cama:
“-
Cozinhar Tonho?” disse Maria
“-Sim
meu amor. Estou louco para provar sua comidinha. Que tal me preparar
um pratinho simples: Arroz, feijão, um bifinho e batatas?” disse
Tonho.
“-
Claro, claro Tonho. Vou fazer para o jantar.” disse Maria pouco
convicta.
“-Esta bem Maria. Então até a noite meu bem.” disse Tonho e
saiu.
Maria
entrou em pânico pois sabia ser incapaz de acender um fogão; assim
mesmo tentou. Quase queimou os dedos, mal conseguindo esquentar a
água e quase põe fogo na casa.
“-E
agora? Como vou fazer tudo isso de comida que o Tonho pediu? Mania
de falar demais. Acabei me dando mal!”
Maria
Angula pensava numa solução quando lembrou-se da boa e velha Dona
Mercedes, cozinheira de mão cheia que era sua vizinha.
“-Já
sei, Dona Mercedes vai me ajudar. Vou até lá e peço a receita de
como fazer as comidas que o Tonho quer. Aquela boba me ensina e eu
passo por boa cozinheira. Eu sou um gênio.”
Maria
foi até a casa da vizinha, bateu palmas e a vizinha atendeu:
“-
Oi Maria minha filha. Tudo bem com você menina?”
“-
Sim, sim Dona Mercedes. Esta tudo bem. Eu só preciso de um favor da
senhora.”
“-
Claro minha filha. Pode pedir.”
“-
Dona Mercedinha querida, o Tonho pediu que eu fizesse um arroz com
feijão, bife e batatas. Mas eu não sei nem acender o fogo. A
senhora precisa me ajudar! Disse Maria quase em desespero. Dona
Mercedes riu do desespero da menina e calmamente disse:
“-Essas
moças de hoje não sabem fazer nada mesmo. Calma minha filha, essa
comida que você precisa fazer é bem simples e fácil. Deixa que eu
te ajudo e ensino.” Dona
Mercedes ensinou direitinho como fazer os pratos pedidos por Tonho.
Ensinou segredos, passou dicas de cozinha e tudo o mais. Terminada a
“aula culinária”, Maria apenas disse: “-Mas
é só isso? Isso eu já sabia. Se eu soubesse que a senhora ia
ensinar uma comida que eu já sei fazer, nem perdia meu tempo para
vir aqui. Passe bem!” E ao dizer isto Maria Angula saia na maior
imponência da casa da boa vizinha. Correu
para casa e preparou o prato pedido por Tonho. Tudo ficou ótimo.
Parecia que Maria tinha nascido para cozinhar.
No
dia seguinte Tonho pede nova iguaria: “-Maria meu amor, você
prepara uma sopa de lentilhas para hoje? Esta um friozinho e uma sopa
cai bem.
“-Claro
Tonho. Vai trabalhar tranquilo. Quando você voltar sua sopa estará
pronta para o jantar.” Assim
que Tonho saiu para o trabalho na fazenda do sogro, Maria correu para
a casa de Dona Mercedes e novamente se fez de educada quando pediu a
receita da sopa: “-Dona Mercedes minha querida tudo bem?”
“-Tudo
minha filha, e você esta boa? Deu certo a receita de ontem?”
Maria
mal respondeu a pergunta de Dona Mercedes e já “atacou” no novo
pedido: “- Deu, deu, Dona Mercedes! Mas agora eu tenho pressa e
preciso saber como se faz uma sopa de ervilhas!”
“-Calma
filha, esta é muito simples de fazer.” E assim falando, Dona
Mercedes ensinou como era feita a sopa de ervilhas.
Novamente
Maria Angula, não apenas deixou de agradecer pela ajuda na receita
fornecida, como mal educadamente disse: “-É só isso? Mas isso eu
já sabia. Se eu soubesse que vinha aqui para ouvir uma receita que
eu já conhecia, não teria perdido meu tempo. Passe bem Dona
Mercedes.”
A
mulher ficou sem saber oque falar, mas como gostava da menina e sabia
de sua história como órfã de mãe, atribuía tais atitudes a falta
de cuidados maternos. “-Coisa de menina, que logo passa.” - dizia
ela.
Maria
correu para casa e preparou a sopa pedida por Tonho, que ficou uma
delícia.
Dessa
forma, todos os dias, Maria Angula passou a “visitar” a casa de
Dona Mercedes a fim de saber como fazer as receitas dos pratos
pedidos por Tonho. E como sempre, ao sair, não agradecia nada e
ainda fazia desfeitas à boa mulher.
Numa
dessas ocasiões, a boa vizinha, cansada de ouvir os desaforos de
Maria Angula resolveu que estava na hora de dar-lhe uma boa lição:
“-Esta na hora desta menina aprender alguns bons modos. Chega de
ouvir seus desaforos. Minha paciência tem limite chegou ao fim!
Quando Maria Angula vier com aquela conversinha ela vai ver !”
No
dia seguinte Tonho inventou de comer feijão branco com dobradinha de
boi, uma carne preparada com o estômago, o bucho, do boi. Quando bem preparada
fica uma delícia, mas quando não...
“-
Dona Mercedes, a senhora me ensina como preparar um feijão branco
com dobradinha de boi?”
“-Claro
minha filha. Essa é a comida mais gostosa que existe e muito fácil
de preparar. Mas ao invés de usar o bucho do boi, vou te ensinar um segredo de como utilizar outro tipo de bucho. Você verá como ficará muito melhor. Primeiro você pega um facão bem grande. Depois vai até
um cemitério e espera chegar o defunto mais fresquinho. Corta a
barriga dele e arranca o bucho. Leve o bucho para casa e cozinhe no
limão e vinagre. Por fim acrescente o feijão branco, bem
temperadinho, e deixe cozinhar. Você vai ver que não há no mundo,
comida mais gostosa do que esta.”
“-Mas
é só isso? Isso eu já sabia Dona Mercedes. A senhora precisa
melhorar seu repertório de receitas. Não conhece novidades? Passe
muito bem.” E saiu pisando duro como sempre, só para manter a
pose.
“-Já
sabia é? Mal educada. Você vai ver a surpresa que te espera.”
Pensou Dona Mercedes ao ver a menina sair.
Maria
foi até sua casa, pegou o facão e dirigiu-se para o cemitério. Lá
ficou escondida até a chegada do último defunto do dia. Após o
enterro, desenterrou o defunto. Suas mãos tremiam. Procurou
acalmar-se. Quando pode, abriu a tampa do caixão e ao olhar o
defunto um frio percorreu-lhe o corpo. Mais tremedeira e nova
tentativa de acalmar-se. Quando parou de tremer cortou a barriga do
morto e levou seu estômago e tripas para casa.
Em
casa cozinhou tudo como Dona Mercedes tinha ensinado e quando Tonho
chegou a janta macabra estava pronta. Jantaram como nunca. Aliás,
quem jantou foi apenas Tonho. Maria alegando estar enjoada e sem
apetite nem tocou na “comida”.
Os
dois foram dormir. Alta madrugada e Maria acordou com barulhos vindos
da porta da sala. Tentou
acordar Tonho, que dormia solto em ronco profundo: “-Tonho, Tonho
acorda homem. Tem gente na sala!”
Tonho
nem sinal de acordar. Maria
passou a ouvir passos que vinham da sala, na direção da porta do
quarto. Uma estranha luz verde aumentava pela fresta abaixo da porta.
Maria começava a ficar apavorada.
De
repente ela ouve as batidas que são dadas na porta e uma voz
cavernosa que diz:
“-Maria
Angula devolva ao meu estômago e as tripas que você tomou da sepultura! Maria
Angula, eu quero as minhas tripas! Você tem que devolvê-las!”
A
partir dai não havia mais dúvidas: A janta macabra preparada por
Maria teria sérias complicações, pois o dono da “comida” tinha
vindo buscá-la.
Maria
encobriu-se debaixo das cobertas, tremendo de medo e as batidas na
porta continuaram seguidas da voz que gritava: “- Minhas tripas
Maria, eu quero as minhas tripas!” "Devolve o meu estômago Maria!"
Subitamente
um estrondo se ouviu e a porta abriu. Pavorosamente
se via a imagem do morto que ela havia cortado. Em pé, com um enorme buraco na barriga por onde escorria um líquido escuro e repugnante, o morto gritava enfurecido: “Maria Angula devolva as
minhas tripas e meu estômago, que você tomou da sepultura! As minhas tripas Maria,
eu quero as minhas tripas!” Aquilo
que havia sido um homem um dia, avançava para Maria que não tinha
forças nem para desmaiar. A pior visão de um filme de zumbis, não
se iguaria ao que Maria presenciava.
Muito mais do que o desespero tomava conta de Maria: Agora era a certeza de seu
destino irrevogável, manifesto na presença sinistra diante dela:
Seu fim, ou oque se aproximasse disso era inevitável.
A
criatura se aproximou de Maria, repetindo os gritos que clamavam
“seus pertences corporais”, mas ela estava paralisada, sem forças
para gritar. Tonho
dormia, indiferente ao que se passava em seu quarto.
Maria
sentiu as mãos frias tocarem-lhe a perna esquerda, por onde foi
puxada e arrancada da cama, arrastada pelo chão e levada para fora da casa. Deste dia em diante, nunca mais soube-se do paradeiro de Maria.
No
dia seguinte, ao acordar e ver a cama vazia, Tonho procurou pela
esposa por toda a parte. Nem sinal dela. Mais tarde o coveiro do cemitério
contou que tinha visto Maria no dia anterior, mexendo numa sepultura recente. Quando foram verificá-la, constataram espantados que estava vazia. Mais tarde Dona Mercedes arrependida, contou sobre a receita que havia ensinado à menina, e a partir dai
deduziram-se os fatos aqui contados.
O
único sinal da presença de Maria, ainda que não confirmado, se deu
por algumas pessoas que asseguravam ouvir nas noites de céu fechado e muita
chuva, a voz de uma mulher que gritava desesperada, enquanto uma voz sepulcral
gritava: “- Minhas tripas, minhas tripas!”
Silêncio.
Maria
acorda assustada, suada e aos gritos de terror.
Esta em sua cama.
A noite esta quente e abafada. Ela vai até a janela e abre-a para que o quarto fique ventilado. Olha para o lado, vê Tonho dormir tranquilamente.
Esta em sua cama.
A noite esta quente e abafada. Ela vai até a janela e abre-a para que o quarto fique ventilado. Olha para o lado, vê Tonho dormir tranquilamente.
Finalmente
entende que tudo não passara de um pesadelo, motivado pela comida
pesada e mal preparada da noite anterior.
Ela
começa a lembrar-se de tudo que lhe acontecera no dia passado: Desde
a manhã que ela estava atrapalhada e enrolada com a preparação da
dobradinha com feijão branco. Dona Mercedes, conforme prometera, no
dia anterior resolvera se vingar e de fato o fez: Saiu para viajar,
de modo que Maria não teria a quem procurar quando viesse com aquela
conversa de pedir a receita de seus pratos. “-Não havia vingança
melhor do que aquela: Fazer Maria ter de trabalhar sozinha na
preparação de suas comidas. Ela não vivia dizendo que tudo sabia
fazer? Pois que se virasse sozinha aquela menina mal educada.”
Quando
foi à casa da boa vizinha, Maria percebeu tudo fechado e entendeu
que teria de cozinhar a dobradinha com feijão branco por conta
própria. Dirigiu-se ao mercado e comprou a dobradinha de boi. Quando
voltava para casa cruzou com a passagem de um enterro, ficando muito
impressionada, pois nunca havia ido a um funeral. Supersticiosa como
era, tinha um medo infundado de mortos.
Já
em casa preparou a comida, mas esta ficou tão ruim, tão ruim que só
foi possível comê-la devido a fome que era grande.
Mais
tarde quando foram dormir, Maria lembrou-se de que Tonho reclamara de
estar com o estômago pesado. Depois levantou passando mal e o sono
dos dois tinha sido conturbado. Nestas circunstâncias era natural
que pesadelos assombrassem Maria. E assim ela constatou que todo o
“acontecido”, o cemitério, as tripas e estômago cortados, o morto andante, tudo fora um sonho, um pesadelo devido a comida mal
feita, um prato pesado para o consumo noturno e o agravamento pela
noite abafada e mal dormida.
Ufa!
Mas
toda esta história servira para Maria perceber o quanto era mal
educada e vinha mal tratando sua vizinha. Maria,
tomada de arrependimento, decidiu que a primeira coisa que faria
seria procurar Dona Mercedes, tão logo chegasse de viagem a fim de
pedir perdão por seu comportamento tão estúpido com a boa vizinha.
Quando
Dona Mercedes voltou, Maria procurou-a e pediu perdão por todo tempo
em que tratou-a tão mal:
“-A
senhora me perdoa Dona Mercedes? Eu fui uma burra, estúpida todo
este tempo em que vivi fazendo fofocas e tratando a senhora e outras
pessoas tão mal.” Me perdoa Dona Mercedes. Me perdoa.” Falava
Maria aos prantos de arrependimento.
“-Claro
que te perdoo menina. Fica em paz minha filha. Você esta perdoada.”
E falando isso a boa mulher abraçou à Maria como ela nunca tinha
sido abraçada antes, em toda sua vida.
A
partir desta data as duas tornaram-se muito boas amigas. Dona
Mercedes auxiliava a menina em todas as suas dúvidas fossem
culinárias, domésticas, sentimentais. Enfim auxiliava a moça como
uma boa amiga que era. E a menina Maria Angula era outra pessoa,
deixando de vez os péssimos hábitos cultivados ao longo de sua
vida. Chegando a tornar-se uma das mais queridas moradoras de
Cayambe, atuando junto aos mais desfavorecidos.
Até
Tonho sentiu diferença na mulher, que tornou-se mais carinhosa.
Ambos não se desgrudavam mais, apaixonados que estavam um pelo
outro.
E.T. O autor desta releitura não acredita na possibilidade de mortos saírem andando pelas ruas, sequestrando vivos.
Admite, sim, a possibilidade de pesadelos terríveis motivados pelo subconsciente, mas nunca mortos "zumbis", como na lenda acima. O fundamento para a impossibilidade de tais atos esta na Bíblia. No texto bíblico de Lucas, abaixo, é possível ler a base desta afirmação:
Lucas 16: 19 a 31
F I M
Releitura da lenda: Maria Angula
E.T. O autor desta releitura não acredita na possibilidade de mortos saírem andando pelas ruas, sequestrando vivos.
Admite, sim, a possibilidade de pesadelos terríveis motivados pelo subconsciente, mas nunca mortos "zumbis", como na lenda acima. O fundamento para a impossibilidade de tais atos esta na Bíblia. No texto bíblico de Lucas, abaixo, é possível ler a base desta afirmação:
Lucas 16: 19 a 31
"Havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho fino e vivia no luxo todos os dias.
Diante do seu portão fora deixado um mendigo chamado Lázaro, coberto de chagas;
este ansiava comer o que caía da mesa do rico. Em vez disso, os cães vinham lamber as suas feridas.
"Chegou o dia em que o mendigo morreu, e os anjos o levaram para junto de Abraão. O rico também morreu e foi sepultado.
No Hades, onde estava sendo atormentado, ele olhou para cima e viu Abraão de longe, com Lázaro ao seu lado.
Então, chamou-o: ‘Pai Abraão, tem misericórdia de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo na água e refresque a minha língua, porque estou sofrendo muito neste fogo’.
"Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembre-se de que durante a sua vida você recebeu coisas boas, enquanto que Lázaro recebeu coisas más. Agora, porém, ele está sendo consolado aqui e você está em sofrimento.
E além disso, entre vocês e nós há um grande abismo, de forma que os que desejam passar do nosso lado para o seu, ou do seu lado para o nosso, não conseguem’.
"Ele respondeu: ‘Então eu lhe suplico, pai: manda Lázaro ir à casa de meu pai,
pois tenho cinco irmãos. Deixa que ele os avise, a fim de que eles não venham também para este lugar de tormento’.
"Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam’.
" ‘Não, pai Abraão’, disse ele, ‘mas se alguém dentre os mortos fosse até eles, eles se arrependeriam’.
"Abraão respondeu: ‘Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos’ ".
terça-feira, 20 de março de 2012
Indicações De Livros 4ºs Anos
Sugestões de Livros Para os 4ºs Anos (3ª Série)
1-OBRA:
“A Gente Que Ia Buscar O Dia”
Autor (a): Edy Lima
Editora: Scipione
SINOPSE
Perdido
num lugar distante de tudo, um homem se abriga na casa de uma família simpática
e diferente. Essa gente tem um hábito esquisito: sair todas as noites para
buscar o dia.
Quando passa de novo por ali, o
homem leva um presente que muda a rotina daquelas pessoas...
2- OBRA: “Oque Os Olhos Não Vêem”
Autor (a): Ruth Rocha
Editora: Salamandra
SINOPSE
Os súditos nunca são vistos pelos gigantes que mandam e
desmandam naquele reino. Mas, um dia, os oprimidos se unem e, usando de muita
perspicácia, obrigam o rei a enxergá-los e a ajudá-los. Firmando-se no ditado
popular "O que os olhos não vêem o coração não sente", a história
questiona o autoritarismo e mostra o que acontece quando os governantes não
trabalham com e para o povo.
3- OBRA: “Abaixo O Bicho Papão”
Autor (a): Walcyr Carrasco
Editora: Nacional
SINOPSE
4- OBRA: “Faca Afiada”
Autor (a): Bartolomeu Campos de Queiróz
Editora: Moderna
SINOPSE
Pai, mãe, avó, meninos, pássaros, as rolinhas, as árvores, o vento. Histórias,
sombras, assombrações, a imaginação à solta. Uma conversa entreouvida, uma faca
afiada que reluz. Um assassinato friamente planejado. O que pode um menino
fazer? Como impedir? O que será de todos eles depois?
5- OBRA: “De Não Em Não”
Autor (a): Bartolomeu Campos de Queiróz
Editora: Global
SINOPSE
Ela bem conhecia a origem das lágrimas dos meninos. Era a
Fome, hóspede previsível. Entrava sem chaves, sem respeitar trancas. Surgia sem
consentimento, negando trégua ao repouso. (...) Era maio, e o frio da noite
aquecia mais e mais a Fome. Na casa, porém, só havia o vazio e resto - nem mais
tempo, esperança ou ruído.
6- OBRA: “A Terra Dos Avôs”
Autor (a): José Ricardo Moreira
Editora: Positivo
SINOPSE
Ao mesmo tempo terna e
bem-humorada, a narrativa insere o enigma no âmbito do cotidiano familiar,
mostrando a convivência e a cumplicidade entre o avô e o menino e levando o
leitor, de forma muito delicada, a refletir sobre o grande mistério que é a
vida.
7- OBRA: “Depois Da Montanha Azul”
Autor (a): Christiane Gribel
Editora: Salamandra
SINOPSE
Autor (a): Cora Coralina
Editora: Global Editora
SINOPSE
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